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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A Interdisciplinaridade no Espaço Singular

          Desde sua fundação em 2006, o Espaço Singular se propõe a cuidar de bebês e de crianças muito pequenas a partir de uma rede interdisciplinar, composta por psicólogos, psicanalistas, terapeuta educacional, fisioterapeuta, pedagogos, enfermeiras e educadores. Somos uma escola construtivista em que esta rede de conhecimento se faz presente para amparar o ato educativo, as crianças e suas famílias na construção do conhecimento.
Esta equipe interdisciplinar participa do cotidiano das crianças e suas famílias na escola e forma os educadores no sentido de um olhar mais sensível para as reais necessidades das crianças.  Com esta formação todos os educadores podem levar em consideração a singularidade de cada aluno.
Mais do que tentar impor os diversos saberes sobre o saber pedagógico, tentamos usa-los enquanto alicerce para melhor acolher todos que em sua articulação formam o ambiente escolar: bebês, crianças muito pequenas, pais e equipe. Sustentamos que a prática pedagógica seja evidenciada e que haja uma constante reflexão de sua prática.
Um gesto de uma criança, um olhar, as sonoridades, a atmosfera, tudo deve ser levado em conta na manutenção do cuidado com os educadores, crianças e  a interpretação a que se atribui ao cotidiano escolar.
Entendemos que um ambiente enriquecido para a criança pequena é aquele que se dá a partir de bons encontros, e neste contexto o olhar e a palavra devem ocupar postos privilegiados, colocando em evidência também a qualidade deste encontro. Desta maneira podemos, mais que ensinar, transmitir `as crianças. Construir com elas e suas famílias,  conhecimento de qualidade e com profundidade em uma construção permanente que deve ser cercada de muito carinho.



quinta-feira, 30 de maio de 2013

Festa Junina 2013


Estamos novamente às voltas com a festa junina. Neste ano nós decidimos manter os moldes do ano passado. Estamos preparando uma festa feita pelas crianças, para as crianças cujo tema será Luiz Gonzaga, o rei do baião*. Teremos um grupo de sanfoneiros, pipoca, cachorro quente, churrasco, quentão, quadrilha e muitas bandeirinhas feitas também pelas crianças enfeitando a escola.

Porque decidimos não incluir os pais nessa festa?
Porque cada vez mais em nossas reflexões nos damos conta da importância das crianças terem também o espaço próprio na escola e nós escolhemos a festa junina como a única festividade anual só para eles. As crianças poderão experimentar sabores, cores, brincadeiras, identificar os sons da cultura brasileira, correr, brincar e dançar. 

Fugir dos moldes, do que é esperado nunca é fácil. Somos sempre questionados nesse sentido porque é mais simples e fácil trabalhar nos moldes comerciais com barraquinhas, e prendas. Porém, qual seria o aprendizado para os pequenos trabalharem no molde tradicional? Seria o mesmo que brincar livremente? Seria o mesmo que participar de uma festa feita por eles e para eles? Nós achamos que não.

Este ano os alunos do G3 farão parte da comissão de organização da festa, que orgulho!  Nós desejamos que as crianças vivenciem esta autonomia e responsabilidade pela primeira vez com muita liberdade, em um espaço social pensado por eles e para eles. Os menores participarão  da decoração da festa e irão participar de rodas de história,  brincadeiras e danças, porque o dia deles organizarem sua própria festa irá chegar em breve... Eles crescem rápido. Às vezes rápido demais.

* Luiz ‘Lua’ Gonzaga ‘Gonzagão’ do Nascimento (Exu, 13 de dezembro de 1912  Recife, 2 de agosto de 1989) foi um compositor popular brasileiro, conhecido como o Rei do baião.2 Foi uma das mais completas, importantes e inventivas figuras da música popular brasileira. Cantando acompanhado de sua sanfona, zabumba e triângulo, levou a alegria das festas juninas e dos forrós pé-de-serra, bem como a pobreza, as tristezas e as injustiças de sua árida terra, o sertão nordestino, ao resto do país, numa época em que a maioria desconhecia o baião, o xote e o xaxado.
Admirado por grandes músicos, como Dorival Caymmi, Gilberto Gil, Raul Seixas, Caetano Veloso, entre outros, o genial instrumentista e sofisticado inventor de melodia e harmonias,3 ganhou notoriedade com as antológicas canções "Baião" (1946), "Asa Branca" (1947), "Siridó" (1948), "Juazeiro" (1948), "Qui Nem Jiló" (1949) e "Baião de Dois" (1950).2 http://www.luizluagonzaga.mus.br

segunda-feira, 4 de março de 2013

Atirei o pau no gato...


Atirei o pau no gato...
Este é um assunto polêmico na educação, pelo menos aqui no Espaço Singular. Devemos ou não cantar a cantiga infantil “Atirei o pau no gato”.  
Desde que o Espaço Singular foi fundado me deparo com uma continuação da música que orienta as crianças a não atirar o pau no gato, mais ou menos assim:
‘Não atire o pau no gato porque é feio, não machuque os animais”
Existem diversas versões deste desfecho, mas a ideia é sempre a mesma. Orientar as crianças a não machucar os animais.
Oras, se o adulto que canta a música acha que ao cantá-la estará instigando a agressividade das crianças com relação ao pobre gato, sempre há a opção de não cantá-la. Acho particularmente esquisito cantar uma música, para imediatamente corrigi-la.
Penso que a música é inofensiva, mas do que isso, acho que, tal qual os contos de fadas, ajuda a criança a elaborar sua própria agressividade e entender que seus atos, por ainda ser uma criança pequena, não tem poder de matar o outro.  “Atirei o pau no no gato, mas o gato não morreu”. Dona Chica, por sinal, representa o mundo adulto que se admira com o ato da criança e seus efeitos.
Aqui no Espaço Singular, a maioria de nós,  entende que os contos de fadas, as cantigas, tem uma função para a criança, função de elaboração psíquica e por isso, só por isso, foram capazes de sobreviver oralmente por tantas gerações.  Mas, quando nos deparamos com uma  educadora que pensa que a música é agressiva, politicamente incorreta, ela  é respeitada em sua opinião, mas orientada a simplesmente não contá-la, cantar outras músicas no lugar desta, que não exijam uma correção moral. E vocês, o que pensam sobre isso?

terça-feira, 27 de novembro de 2012

INTERDISCIPLINARIDADE EM UMA INSTITUIÇÃO


TEXTO APRESENTADO POR VERA MEIRELLES EM PALESTRA REALIZADA NO ESPAÇO SINGULAR EM  24 DE NOVEMBRO DE 2012. ESTIVERAM PRESENTES PAIS, EDUCADORES E EQUIPE DO STUDIO SAPU.

PALESTRA SOBRE A INTERDISCIPLINARIDADE EM UMA INSTITUIÇÃO

Pensamos em promover esse encontro  em função das reformas que acontecerão aqui no final de ano e torná-los a par da escolha pedagógica do Berçário que segue a linha Construtivista.
Existe uma concepção sobre o Construtivismo que simpatizo muito: “significa a idéia de que nada, a rigor está pronto, finalizado e de que, especificamente, o conhecimento não é dado, em nenhuma instância como algo acabado, ele está sempre em movimento. Ele se constitui a partir da interação do indivíduo com o meio físico e social, com o simbolismo humano, com o mundo das relações sociais e se constitui por força de sua ação e não por qualquer dotação prévia”.
Essa escolha pedagógica que reúne várias competências tem como foco a complementaridade de um “olhar” sobre a criança e seu entorno. 
O Berçário Espaço Singular, conta com uma equipe multidisciplinar composta por pedagogos, psicólogos, psicanalista, nutricionista, psicopedagogos, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, auxiliar de enfermagem, pediatra, cuidadores e agora uma arquiteta visando, todos, promover um “lugar” para as demandas manifestadas pelos bebês, ao longo do seu crescimento.
 A Interdisciplinaridade e o Construtivismo estão na mesma linha de pensamento. A Reforma a ser feita é um exemplo dessa construção interdisciplinar assim como o nosso objetivo, também é formar uma equipe que tenha um conhecimento sobre essas diversas disciplinas, desta forma a equipe se aperfeiçoa, assim com eu. A Escola também valoriza a participação da família e a função parental nos diversos aspectos do desenvolvimento dos pequenos e por isso seu interesse em querer que os pais se apropriem também, dos dispositivos e lugares que esta lhes oferece.
A presença dos pais é fundamental para a passagem da família para o mundo de vocês. Vocês contribuem, estando em sintonia conosco, para a futura socialização. Tem uma passagem da família para a escola. Aqui é um lugar de separação e encontro com a procura. É difícil para os familiares assim como para as crianças. A comunicação entre a equipe e os pais é indispensável.
Esta instituição tem, dentre outras, duas premissas básicas: leva em consideração que “o bebê é um sujeito e que a comunicação entre os sujeitos está assentada na linguagem falada e corporal, a linguagem só se constrói na relação com o “outro”, o olhar do encontro, onde o bebê se reconhece. Por isso a importância de fazermos uma reflexão, sobre as nossas observações cotidianas, privilegiando, sempre, o singular. Entenda por “singular” algo que está ligado a olharmos o bebê ou a criança levando em consideração a sua subjetividade.
Entendemos que quanto mais cedo pudermos cuidar das manifestações que a criança apresenta melhor será seu desempenho e desenvolvimento. Às vezes o melhor que se pode fazer não é o suficiente. A relevância da primeira infância nos obriga a não sermos profissionais omissos frente às alterações que a criança poderá manifestar afim de não comprometermos o seu desenvolvimento nos anos que se seguem. É muito importante que os pais olhem as crianças pelo que elas são e não, só, pelo que eles vêem.
Entendemos que a interdisciplinaridade possibilita uma melhor capacitação do profissional da área de educação, quando oferece a este, mais recurso e elementos que possam ajudá-lo na constituição do vínculo com o bebê e nos diversos “saberes” sobre ele. Alguns segmentos já pensam na formalização do modo de participação do cuidador em creche, no desenvolvimento e subjetivação de bebês de até 18 meses, a partir da discussão das funções que lhe concernem: cuidar, educar e prevenir, vocês sabiam?
Essa interação entre os saberes é de fundamental importância, para este “olhar” sobre a criança. O nosso interesse cresce a cada dia e tem nos surpreendido com os resultados e desdobramento, dessa forma de atuar. Essa prática pode agregar valores, contextualizar o que é observado nos diversos espaços e ampliar a nossa possibilidade de “um saber” sobre uma determinada realidade que envolve aquele bebê. Aquele que cuida se sente responsável. Com isso a escola se torna uma via de sustentação possibilitando a família exercer uma “troca” com ela e, portanto ter mais elementos para acompanhar o dia a dia do seu filho, do seu bebê em um ambiente seguro, tranqüilo e aconchegante.
A integração da equipe permite que os profissionais envolvidos troquem as suas observações entre si e possam contemplá-las quando estiver com a criança. Isto vai criando uma capacidade interna de elaboração dos profissionais do grupo, propiciando para cada um uma participação mais ativa no processo. Essa reunião de informações que estão disponibilizadas para o coletivo, enriquece o nosso trabalho e a nossa apropriação sobre o mundo da criança.
 Esta proposta de trabalho é um desafio desta instituição que, cada vez mais, acredita no fazer e considera o lugar da criança, um “lugar sagrado”!
    
 A REFORMA FÍSICA DO BREÇARIO

 Para a reforma física que acontecerá no berçário, contratou-se ‘uma equipe’ para pensar nas mudanças e adaptações necessárias ao funcionamento do estabelecimento e das pessoas envolvidas direta e indiretamente com ele. Uma equipe e diversos olhares para criar um espaço onde o “todo” e o singular sejam contemplados e esta é a pedagogia do Berçário Espaço Singular, pelo menos, uma parte dela.  O espaço deve ser contemplado como algo que venha a imprimir uma qualidade para a vida dos bebês. Ele tem uma função e está diretamente ligado à rotina da escola. Todas as atividades estão pautadas na disposição do espaço, portanto ele precisa e deve ser funcional.  
O espaço tem também um papel de educador quando ele é um facilitador para o aprendizado e possibilita que as trocas sociais aconteçam de forma harmoniosa e em um tempo possível e adequado para os pequeninos.  Já o ambiente envolve não só o espaço físico como o humano e a qualidade desse espaço é muito importante. Esta relação que os pequenos têm com o ambiente que habita é determinante na sua constituição subjetiva e na sua identidade.
A criança, inserida na rede social escolar, precisa se organizar no espaço que habita aprender com ele, circular por ele de forma lúdica e simples.  O uso adequado do ambiente deve ser uma característica a ser contemplada na educação. “O espaço deve ser pensado a partir do ritmo e contexto social da criança”.
 “Promover a competência pensando no ambiente significa planejar situações e intervenções espaciais que possam ajudar a criança a resolver problemas por si mesmos, estimulando a conquista da independência do adulto rumo à autonomia.
Para um pediatra inglês chamado Winnicott, é muito forte a influência que o meio ambiente exerce sobre a constituição da subjetividade do sujeito e diz: inicialmente a vida psicológica do bebê está pautada pela relação com a mãe e com o meio ambiente.
Por isso acreditamos que essas mudanças físicas proporcionarão outras mudanças para a dinâmica da instituição assim como a inauguração de novos espaços!

APRESENTAÇÃO
Aproveitando a contemplação de novos espaços gostaria de falar sobre o meu trabalho nesta instituição, contar um pouco às funções que desenvolvo aqui e que lugar ocupo. Sou Socióloga, Pós Graduada em Psicologia Clinica, Psicanalista, trabalho com bebes, crianças, família e sou Acompanhante Terapêutica.
Estou à disposição nesta instituição porque tenho um conhecimento do infantil, da primeira infância com seus aspectos e do vínculo familiar e social. Estou aqui para que as coisas ocorram bem, para oferecer essa função e ser uma intermediadora. Estou presente na sala de aula, na entrega, na saída, conversas com a diretoria, conversa com os cuidadores, os pais e no Plantão Psicológico.
Minhas funções no berçário se constituem na observação sistemática dos bebês junto com a equipe e atendo no Plantão Psicológico, as quartas-feiras, das 17h30min às 20hs. Esse trabalho com a equipe envolve: intercambiar informações sobre o que foi observado na criança para todos os profissionais dos respectivos grupos, discussões de temas que fazem parte da rotina das crianças através de textos e conversas dirigidas e discussão sobre que tipo de intervenção será adotada.
Já no “Plantão” tenho a oportunidade de encontrar os pais e conversarmos sobre questões de ordem emocionais, comportamentais, psíquicas e outras que surgiram a partir de um determinado momento, envolvendo seu filho. Essas conversas podem ser apenas com os pais ou com os pais e a criança. Após essa primeira conversa, se for o caso, passo a observar de forma mais sistemática a criança dentro do grupo a que pertence e  posteriormente, convido- os para um encontro onde dou uma devolutiva das minhas observações. Assim podemos trocar algumas idéias e propormos sugestões, se for necessário, para uma melhor compreensão do que está acontecendo.
Este dispositivo tem sido relevante no dia a dia com a criança e seus cuidadores. Esse tipo de intervenção impede a permanência de determinados mal estares que causam desconforto para as crianças e dá mais subsídios aos pais para que possam lidar melhor com aquela situação.
O trabalho conjunto permite que a equipe possa lidar com a realidade de uma forma mais participativa, mais grupal, sendo este fator determinante para o tipo de vínculo que a criança vai desenvolver com o outro.  É esta pluralidade que da riqueza ao trabalho, permitindo cuidar de forma preventiva os incômodos que afetam os nossos pequenos.
Obrigado a todos e me coloco à disposição dos presentes para aquilo que acharem necessário!

Vera Meirelles